15 de março de 2007

Jose Loureiro - bibliografia

segundo o catálogo do Museu de Serralves, 2002 / completado e actualizado em 2007

1988
nota. Cartaz. 29/10/88 (Ether)
nota. Cartaz. 26/11/88 (Diferença)

1990
nota. Cartaz. 10/02/90 (Diferença)
nota. Cartaz. 17/02/90

1991
nota. Cartaz. 20/04/91 (G. Alda Cortez)

1993
nota. Cartaz. 08/05/93 (G. Alda Cortez) #

1995
"Sem palavras". Cartaz. 29/04/95 (G. Alda Cortez) #
nota. Cartaz. 20/05/95 #

1996
nota. Cartaz. 25/05/96 (G. Alda Cortez) #
nota. Cartaz. 01/06/96 (G. Alda Cortez) #
nota. Cartaz. 14/12/96 (Módulo, Porto) #

1997
"A pintura como 'arte pública'". Cartaz. 22/11/97
"São pinturas feitas com tinta", entrevista. Cartez. 29/11/97 (Módulo) #

1998
nota. Cartaz. 03/01/98
nota. Cartaz. 24/10/98 (?)
"Os anos 90 nunca existiram". Espacio/Espaço Escrito, nº 15/16, 1998
"Todos diferentes, todos iguais", catálogo da III Bienal de Arte AIP'98, Vila da Feira, 1998

1999
"Voz, focagem, grão. eco...", Cartaz. 04/12/99 (Módulo) #

2001
"As pinturas provocam outras pinturas", entrevistas, JOSÉ LOUREIRO, ed. Relógio d'Água Editores, Lisboa, 2001 #
"Linhas de vida", Cartaz. 22/12/01 (G. Cristina Guerra) #

2002
"O lugar da pintura", Actual. 13/07/02 (Museu de Serralves) #

2005
"O quadro negro", Actual. 20/08/05 (CC Emmerico Nunes, Sines) #

2007
"Equilíbrios instáveis", Actual. 17/03/07 (G. Cristina Guerra) #


NOTAS 1988-1996

Ether
“José se quiseres come as sardinhas todas”
Cartaz, 29/10/88, p. 20
O espaço é à partida impróprio para a pintura; depois, no segundo piso, depara-se com a curiosa colocação dos quadros (mesas, naturezas mortas…) num plano muito baixo. Descobre-se que se trasta de um jogo, com os olhares, os respectivos hábitos, as relações usuais com a pintura, as luzes e os seus efeitos sobre as cores e densidades do óleo – o texto breve do catálogo fala de penumbras e da presença dos objectos desfocados (o lugar é dedicado à fotografia, em princípio… Mas não se trata de óbvias pinturas de referências fotográficas). Raramente o retorno a uma prática arcaica e injustificada se revela tão capaz de surpresa, longe do exercício académico e afirmando o domínio das suas regras, circulando entre “temas” com o saber de uma linguagem definida e o sabor das cores, das matérias, dos objectos – o gosto da pintura. (Até 19 Nov.)

Diferença
“Lumaréu”
Cartaz, 26/11/88, p. 20 (nota conjunta com Pedro Maia)
Guaches do primeiro, cuja primeira pintura sobre tela foi uma muito recente revelação da galeria Ether. A seu propósito, como de Miguel Branco, por exemplo, se tem falado dos “netos de Dacosta” e em algumas figuras ou na sensualidade de texturas ou em opções cromáticas se pode reconhecer pelo menos a admiração por ele, um humor próximo. O discurso é aqui mais livre que na anterior exposição, onde os quadros deixavam supor um gosto do precioso e do exercício virtuosístico, sobreposto ao prazer da descoberta da pintura. (Até 4 Dez.)

Galeria Alda Cortez
Cartaz de 08-05-93
Desenhos: um novo momento de um percurso de decomposição, isolamento e fragmentação de imagens, num processo de reconsideração de objectivos guiado pela recusa e a crítica. Algumas das peças consistem em construções duplas, com a repetição de mão esquerda de um motivo tomado a uma figura de BD, ou, noutro caso, de um esquema de pintura matissiana; noutros desenhos ainda (posteriores?) o «tema» banaliza-se deliberadamente e multiplica-se em fragmentos, num mesmo caminho de negação da habilidade manual e do projecto. É uma via de interrogações, certamente em busca de um limiar que sirva de novo ponto de partida.

Galeria Alda Cortez
(I. Preto esbranquiçado… e II.Cinzento baço, pinturas da série “Palavras Cruzadas” (20?-IV a 27-V), sem catálogo
20-05-95, p. 17
Segundo capítulo (“II. Cinzento baço”) de uma mesma série de telas de grande formato (“Palavras cruzadas”), onde J.L. reencontra, a partir de uma reflexão sobre Mondrian revisto por Lichtenstein, e, paradoxalmente, sobre a disciplina auto-imposta de uma grelha geométrica que é, também, oportunidade da irrupção de múltiplos sentidos, as possibilidades da pintura que anunciara em 1988-90. Pintura sobre a pintura (e não exercício da citação ou ilustração de “problemáticas”, que são vias mais usadas), estas telas onde os problemas do espaço plástico são revisitados com rara energia e invenção, comprovada pela própria diversidade de “soluções” presentes na série, são um reencontro com a complexidade e o prazer da pintura, das matérias, do gesto e da cor, e também uma resposta eufórica a todas as estratégias sacrificiais e facilmente repetitivas das paredes monócromas ou matéricas.


Gal. Alda Cortez
25-05 - 96, p. 17 (c/ foto de Alberto Frias)
A pintura continua de boa saúde, como uma tradição continuada e a cada momento reinventada. J.L., que há exactamente um ano expusera no mesmo local as suas «Palavras cruzadas», regressa com uma nova série em que passa da estrutura quadriculada a um «sistema» de bolas, em quatro telas de grande formato e algumas outras de pequena dimensão e mais variável resolução formal. Nos quadros maiores há sempre uma espécie de trama mais ou menos aberta sobre a qual se sobrepõem faixas de outras bolas maiores e barras ou campos lisos de cor; mas dizer sobrepõem é aqui problemático, porque tudo se passa num espaço instável, elástico e vibrante, onde as tramas não definem propriamente planos e as séries de círculos, flutuantes, surgem como problemas espaciais e desafios do olhar, onde a cada momento é perturbada a lógica explicativa de um qualquer formulário. É nesse pôr à prova do olhar e da razão que a dimensão essencial do jogo se afirma e excede como invenção e enigma. (Até 22 Jun.)

01-06 - 96, p. 18 (c/ foto de Alberto Frias)
Exercício dos meios da pintura e não «questionamento» sobre os meios, as condições e os fins da pintura, estes novos quadros de J.L. vêem-se como demonstração da vitalidade de uma prática, que certamente continua a convenção e a tradição da pintura ao mesmo tempo que as redescobre em cada objecto realizado, para lá de qualquer ideia de «retorno» à pintura ou à abstracção. O uso de uma espacialidade incerta, de profundidade instável ou elástica, a eficácia do trabalho da cor que é intrínseco ao jogo das tramas de bolas, indistintamente programado e aleatório, são elementos em que se conjuga a materialidade de uma invenção. (Até 22 Jun.)


Módulo, Porto
14-12-96, p. 19
Mostrados antes na Gal. Alda Cortez, as pinturas e os papéis de J.L. viram-se como a sequência, diversamente inventiva, de um retorno à picturalidade que marcara os começos do seu trabalho, após um intervalo aplicado na busca de uma disciplina mais especulativa que oficinal. Sobre uma regra de composição aparentemente geométrica, dominada pelo xadrez das «palavras cruzadas», exercitavam-se antes vertiginosas flutuações espaciais que se prolongavam por um domínio original da cor. Depois, sucederam-se as bolas às riscas, com idêntica, mas obviamente diversa, investigação espacial. O programa ou o cálculo da pesquisa óptica é, porém, o de uma «nova abstracção» que mantém com as lógicas geometrizantes ou as derivas líricas uma relação marcadamente irónica, já não discursiva e antes aplicada no reencontro de algumas intensidades imediatas, as do fazer e do ver. O percurso é dos mais livres, sobre uma continuada segurança de meios. (Até 12 Jan.)

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